Jaz aqui aquilo que sempre foi pretexto mas nunca existiu. A razão que sempre foi válida, mas que nunca foi encontrada, nem vivida, nem experimentada. Jaz aqui a eterna e insana procura pelo desejado sentimento.
És o mais belo mas nunca ninguém te sentiu. Quando pensaram que te viram, estavam momentaneamente alucinados, anestesiados da realidade cruel que a vida trás. Quem diz que te sente é louco. Quem diz que o é, é material para canhão, é meio cérebro, é apenas um ser inverbe a procura de uma razão para viver. Todos os crimes se refugiam na sua procura.
A insinuante recompensa de te possuir torna homens bons em almas absorvidas. Ganância, desonestidade, crimes passionais, sms trocadas até altas horas da manha, sexo, amor. Tudo isto fazes ser, fazer, sentir. Fazes-te sentir pela tua ausência. Porque mesmo em ausência causas luxúria… incendeias vontade de te conquistar, por fim. Crias pessoas normais de sistemáticos objectivos. Matas a personalidade por uma busca incessante, dura, de mágoa, de dor, de suor, lágrimas e sangue, espesso e viscoso.
Aqueles que ousam não te desejar, aqueles cuja mente fraquejou na esperança, mas revelou verdade por trás da ilusão… A esses o pior dos destinos guardas-tes. Tristes fados, tristes fardos, triste existência de saber que não existes, afinal. Triste realidade que a tua lacuna deixa transparecer aos olhos destes, tornando-os incompreendidos, fazendo-os de loucos. Mas a loucura essa é a sanidade do demente, é a verdade dos que sabem a verdade, daqueles que não são obcecados por ti.
Morta à nascença por crimes hediondos, por guerras, por pobreza, fome, por um Deus ausente, por uma imoral e inexistente moralidade. Por um Homem séptico que por não te ver não te achou possível ou por um Homem que no fundo nunca quis nada contigo, porque da tua universalidade dependiam concessões, regras, e a criação de um ser apaixonado pelo próximo. Mas não quando o sol nasce é para todos, e se não nasce para um, que morram os todos porque também não o merecem.
À autópsia científica da qual foste alvo, só se encontraram químicos que simulam a tua existência. Que mostram que nos conseguimos enganar a nós próprios sem de tal termos consciência.
Teu jazigo repousa turbulento nas mentes de cada ser vivo deste planeta. Tua existência sempre foi questionada. Tua ausência sempre foi sentida. A percepção da Tua inexistência levou ao luto daqueles que a sociedade considera de loucos. A procura por Ti levou a actos de indescritível egoísmo.
Ó felicidade, aqui te enterro, aqui assumo insanidade social e te enterro, aqui ultrapasso os teus limites e encontro um novo mundo, aqui te enterro… por assim da próxima vez que a loucura me habitar, aqui te procuro!
“A felicidade é a utopia dos dementes” - Valete